Entomologista australiano visita o oeste da Bahia e alerta sobre áreas de refúgio

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v1Em visita ao Brasil, o entomologista australiano David Murray, especialista no Manejo Integrado de Pragas (MIP), esteve na região oeste da Bahia.  A vinda do pesquisador foi promovida pela Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), Associação Brasileira dos Produtores do Algodão (Abrapa) e do Instituto Matogrossense do Algodão (Imamt) e teve o apoio do Instituto Brasileiro do Algodão (IBA). Durante a programação que aconteceu entre os dias 19 e 21 de maio, produtores, consultores e demais entidades, e a pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Silvana Paula-Moraes, acompanharam o roteiro do australiano que visitou lavouras e participou de reuniões, reafirmando a necessidade do Manejo de Resistência para o controle de pragas.

Murray é o entomologista com mais experiência em biotecnologias e estratégias de manejo de Helicoverpa spp. na Austrália e trabalhou para o governo de Queensland, como pesquisador por mais de 38 anos. Com inúmeras publicações sobre o tema, o pesquisador também foi consultor da Abapa e da Fundação Bahia, no ano de 2013, colaborando junto com mais nove entomologistas brasileiros, para a elaboração de um Plano de Manejo de Pragas e Manejo de Resistência, dentro de um programa fitossanitário regional com foco inicial no combate à Helicoverpa armigera na região oeste da Bahia.

v2Segundo ele, o grande desafio do Brasil hoje, está em implantar o Manejo de Resistência, através das áreas de refúgio e reconhece que a situação no Brasil é muito diferente, da Austrália. “Na Austrália, o clima é mais temperado e as lavouras de algodão são 100% irrigadas. Na safra atual 90% da área foi cultivada com variedades Bollgard II® e a cotonicultura é a única a utilizar variedades Bt, diferentemente do que ocorre no Brasil, que por ter um clima tropical, está numa situação ainda mais crítica. Para complicar ainda mais,  no Brasil não existe uma praga principal, existe todo um complexo de pragas, que está nas três principais culturas do país”, relatou o pesquisador.

A programação do pesquisador no oeste da Bahia, contou com visitas a campo e reuniões técnicas

Sobre a área de refúgio, Murray salientou que o mínimo estipulado para o Brasil, de 50% para soja (com uma proteína bt) e 20% para milho e algodão, pode não resolver o problema. “Só esse mínimo talvez já não seja suficiente, e com menos que isso é praticamente impossível manter as proteínas bt e assim segurar a Helicoverpa. A crescente pressão da Spodoptera frugiperda, hoje um dos principais problemas das lavouras de milho e algodão também é preocupante. Se a Bahia decidir por adotar apenas esse mínimo de área de refúgio, os produtores podem acabar perdendo a tecnologia, antes mesmo de estabelecer a situação”, alertou.

v3Experiência Austrália

Segundo Murray, há quatro décadas a Austrália, deu início ao embate com as lagartas do gênero Helicoverpa spp, com apoio e esforço que uniu produtores, pesquisadores e representantes do governo no uso adequado das tecnologias, nos últimos anos a situação tem sido bem controlada.

Na Austrália, raramente utilizam-se inseticidas para o combate às lagartas do gênero Helicoverpa (armigera e punctigera) e o controle da praga no país, que é um dos quatro maiores exportadores de fibra do mundo, é realizado através do uso de variedades do algodão geneticamente modificado. No entanto, para manter a eficiência da tecnologia foi elaborado um Plano de Manejo de Resistência de Helicoverpa spp., que é seguido à risca pelos produtores.

O pesquisador afirmou que não precisou de lei nem decreto para adesão dos cotonicultores ao plano de manejo de resistência. “Todo mundo percebia a gravidade da situação e os benefícios que as ações propostas iriam trazer. E ainda hoje não relaxamos na vigilância e cuidados. Para tanto, fazemos revisão todo ano dos procedimentos, momento em que avaliamos a necessidade de novas restrições às classes de inseticidas e as configurações de áreas de refúgio, dentre outras ações”, comentou. Apesar das rígidas medidas, o país só conseguiu baixar a um nível satisfatório a população da Helicoverpa spp. nas plantações com a introdução de plantas expressando proteínas  Bt, por meio de variedades geneticamente modificadas para apresentarem, assim, um bom controle da praga. A experiência da Austrália demonstra que é “importante ficar sempre um passo à frente senão o sistema de produção fracassa”, alertou Murray.

Programação no oeste

A programação do pesquisador no oeste da Bahia,  contou com visitas a campo e reuniões técnicas, organizadas  pela Abapa juntamente com a  Associação dos Agricultores de Irrigantes da Bahia (Aiba), e outras entidades. No primeiro dia, o pesquisador visitou a Fazenda de Roni Reimann, no Novo Paraná, abordando algodão Bt1 com boa performance de manejo, e a Fazenda Mizote I em São Desidério, abordando algodão WS e refúgio convencional. No final do dia, participou de uma reunião em Roda Velha na Associação Três Fronteiras, com produtores e técnicos que abordaram assuntos sobre o programa fitossanitário.

Já no segundo dia, o pesquisador visitou as fazendas  Parceiros da SLC e Fazenda do Luís Pradella, na Coaceral, município de Formosa do Rio Preto. Também participou de uma reunião com produtores da Coaceral e região, no Centro Comunitário do Portal do Jalapão.

No último dia, Murray acompanhou o fechamento das novas propostas para o Programa Fitossanitário do Oeste da Bahia para a próxima safra, numa reunião que aconteceu na Fundação Bahia, com a participação de produtores, grupos técnicos do programa, gerentes, consultores e pesquisadores.

Ascom Abapa

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