Além da soja e algodão, milho e sorgo ganham destaque com avanço da verticalização da produção na região
Membros da comissão do Conselho Técnico da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba) realizaram nesta terça-feira (29), a primeira reunião com as projeções preliminares para a safra de grãos 2026/2027 no Cerrado baiano. Durante o encontro, foi projetado que o novo ciclo produtivo deve ter um número de produtividade igual a 71 sacas por hectare e crescimento de área de cerca de 4% para a soja, principal cultura da região, que deve alcançar uma área total de 2,3 milhões de hectares.
Com base no monitoramento das equipes do Núcleo de Agronegócio da Aiba, os 2% do total de área plantada correspondem ao plantio antecipado em caráter excepcional autorizado pela Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab). Além disso, de acordo com o núcleo de Sustentabilidade da associação, a área irrigada consolidada em produção alcançou a marca de 455 mil hectares, com projeção de manter o crescimento nos próximos anos, com o avanço do monitoramento do Aquífero Urucuia e práticas sustentáveis dos produtores da região.
A cotonicultura, que chega à fase final do ciclo 2025/2026, é outra cultura que deve bater recordes. Dados consolidados da produtividade do algodão, apontam que o atual ciclo que se encerra deve atingir a marca de 374 arrobas por hectare, frente às 332 arrobas da safra passada. Considerando as regiões Oeste e Sudoeste do estado, a produtividade média da cultura do algodoeiro na Bahia, teve um incremento de mais 10%, a melhor média alcançada.
Outro destaque estão as culturas do milho que também ganham protagonismo com a verticalização da produção. A perspectiva de aumento da área plantada do milho é de cerca de 12% e do sorgo 11%. No entanto, de acordo com Orestes Mandelli, presidente do Conselho Técnico, essas estimativas podem sofrer alterações.
“Obviamente que o sorgo e o milho, em segunda safra ainda é uma estimativa, são números que ainda podem sofrer alterações significativas, de acordo com o calendário de plantio da primeira safra, e da previsão, de encerramento das chuvas, lá no final do ciclo de produção, mas em termos gerais são números bastante promissores”, disse Mandelli.
De acordo com o conselho, na safra 2025/26 o milho consolidou a marca de 185 sc/ha para o milho sequeiro primeira safra e 195 sc/ha de estimativa de produtividade para o milho segunda safra irrigado. “Esses recordes mostram o bom trabalho feito pelo produtor, a resiliência da região, e as boas práticas fitossanitárias”, celebra o presidente do conselho.
O trabalho criterioso, responsável e técnico das equipes da Aiba é apontado pelo gerente de Agronegócios, Aloísio Júnior, como meio fundamental para municiar o conselho, e também auxiliar o produtor a continuar com boas práticas, diminuir custos e sobretudo a tomar decisões assertivas.
“Foi uma reunião produtiva, de boa expectativa para os produtores associados e para o mercado como todo, tendo em vista as adversidades do clima e tudo que envolve o setor. Foram feitos diversos apontamentos, não só dos fatores técnicos que são discutidos de forma considerável, mas principalmente os cenários, a conjuntura geopolítica, e fenômenos climáticos”, disse o gerente.

Além do trabalho conjunto entre diferentes setores, Aloísio também destacou a capacidade técnica e o avanço tecnológico na obtenção de dados importantes. “O conselho também se preocupa em discutir essas informações com dados obtidos através da tecnologia junto aos nossos produtores para mitigar essas adversidades, e principalmente, no ponto de vista da porteira para dentro, o produtor rural espera como aposta poder mitigar eventuais problemas, então, a Aiba no âmbito institucional, junto com sua equipe técnica, está acompanhando de perto, esse início de novo ciclo produtivo”, disse.
O cenário climático também esteve entre os pontos de atenção do Conselho Técnico para a safra 2026/2027. Embora as projeções indiquem a possibilidade de fenômenos atmosféricos capazes de interferir na distribuição e na regularidade das chuvas ao longo do ciclo, a avaliação é de que esse fator não deve ser analisado isoladamente. Nas últimas safras, o Cerrado da Bahia ampliou sua capacidade de adaptação às oscilações climáticas, com investimentos em manejo e conservação do solo, genética, escalonamento do plantio, agricultura de precisão, irrigação e monitoramento climático, estratégias que contribuem para reduzir riscos e dar maior estabilidade à produção.
Com o avanço do novo ciclo produtivo uma nova reunião deverá acontecer em fevereiro de 2027 para um balanço e nova avaliação da safra.
O conselho validado pela diretoria da Aiba é formado por Orestes Mandelli, Luiz Carlos Bergamaschi, Raimundo Santos, Rafael Zacarias, Fernando Andrade, Jose Cláudio Oliveira, Rodrigo Missio, que juntos, os profissionais renomados representam empresas parceiras e fazendas com vasta experiência e credibilidade.
Imprensa Aiba – 30.9.2026