Com lugar de destaque em frente à entrada principal da Bahia Farm Show, o Pavilhão da Agricultura Familiar e o Programa de Caravanas conectam pequenos produtores e estudantes às inovações do agronegócio.
Seis horas de estrada até Barreiras. Ônibus lotado. Produtos registrados no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) dentro de caixas cuidadosamente embaladas. Para chegar à Bahia Farm Show, Mailda Rodrigues, produtora da região Vale do Santo Onofre, em Paratinga, enfrenta a viagem de ida e faz o caminho de volta todos os dias e não troca por nada.
“É a maior feira de agronegócio do Norte e Nordeste. É uma grande oportunidade de a gente divulgar nossos produtos.”
– Mailda Rodrigues, produtora rural
Ela trouxe à feira cachaça, rapadura, sucos e copas de frutas produzidas por mulheres da Associação do Vale do Santo Onofre. A cena se repete em dezenas de tendas, histórias e sotaques espalhados pelo Pavilhão da Agricultura Familiar, que, na vigésima edição da Bahia Farm Show, ganhou um lugar de honra: posicionado em frente à entrada principal do evento, o espaço amplia a visibilidade de pequenos e médios agricultores e coloca o que nasce da base do agro no caminho de todos que chegam à feira.

O lugar de quem faz acontecer
A mudança carrega um recado institucional claro: a Associação dos Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba) reafirma, na prática, o conceito “Somos um só” agro, que reconhece na agricultura familiar uma parte indissociável do ecossistema produtivo da região.

Luzinete de Sousa Neiva, presidente da Associação dos Pequenos Agricultores de Silvania e produtora rural de Correntina, participa da feira pela quarta vez e chegou à BFS 2026 em uma caravana, no terceiro dia do evento. Para ela, a feira cumpre um papel que vai além da vitrine comercial. “Aqui é o espaço que a gente percebe que não só os grandes desenvolvem, os pequenos também”, diz.

Essa percepção é o motor do Programa de Caravanas, coordenado pelo Instituto Aiba. Em 2025, a iniciativa reuniu 393 caravanas, com mais de 16,9 mil participantes vindos de 29 municípios e cinco estados. Em 2026, o programa segue como uma das principais pontes entre o interior do Brasil e as inovações do agro, conectando produtores a máquinas, insumos, crédito e, sobretudo, a outros produtores.
Iogurte, crochê e muçarela
Entre os expositores do pavilhão, cada estande conta uma história de transformação. Alexsandro Ramos, gestor do laticínio da Central de Associações de Agricultores Familiares (CAAF), de Correntinha, chegou à feira com iogurte produzido a partir do leite de pequenos produtores locais, e com uma novidade quase pronta: o queijo muçarela, em fase de teste, aguardando certificação.

“A gente agrega valor ao produto, ao leite, que é a matéria-prima fornecida pelos produtores. Isso permite pagar um preço melhor por cada litro entregue ao laticínio.”
– Alexsandro Ramos, gestor da CAAF
A artesã Maria Margarete Gomes, conhecida como Dona Margô, mora há mais de 20 anos em Luís Eduardo Magalhães e participa do espaço de Agricultura Familiar todos os anos. Sua especialidade é o amigurumi, técnica japonesa de criar pequenos bonecos tridimensionais em crochê ou tricô. Bonecas, imagens e peças artesanais que, segundo ela, estão fazendo a alegria do público em 2026.

“O movimento está muito bom. Vale muito a pena estar na Bahia Farm Show. A mudança de localização foi muito boa, esse ano estamos bem localizados.”
– Dona Margô, artesã
Quando a escola vai ao campo
As caravanas também chegam de escolas e universidades. Uma turma formada pelas escolas municipais de Santa Rita de Cássia trouxe um aluno de cada série para visitar a feira. A professora Eunides Dias traduz o que esperava encontrar: “Está sendo enriquecedor. Acredito que vamos levar muito conhecimento da área de tecnologia, das máquinas, e mostrar para nossos alunos que o estudo é o que leva a essa riqueza.”

Ao lado dela, a estudante Ludmila Lisboa, do 9º ano do ensino fundamental, resumiu com a síntese da experiência. “Estou adorando tudo”, diz.
Como participar
As caravanas operam em parceria com prefeituras, sindicatos e entidades locais. Os grupos devem ser formados por no mínimo 10 pessoas e o acesso pode ser feito mediante doação de alimentos não perecíveis. Instituições de ensino e organizações sem fins lucrativos têm entrada gratuita com cadastro prévio. A visita tem duração de um dia, das 9h às 17h.
A Bahia Farm Show é uma realização da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), em parceria com a Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), a Fundação Bahia e a Associação dos Revendedores de Máquinas e Implementos Agrícolas (Assomiba), e conta com o apoio da Apex Brasil, Banco Bradesco, Banco do Brasil, BNB, BNDES, Caixa Econômica Federal, Bahiagás, Desenbahia, Governo do Brasil, Governo da Bahia, Inpasa, Neoenergia Coelba, Prefeitura de Ilhéus, Prefeitura de Salvador, Prefeitura de Luís Eduardo Magalhães, Senar, Sicredi, WP Agro Empresarial.