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Aiba sedia reunião da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Cacau e debate expansão da cultura no Cerrado baiano

Encontro reuniu lideranças, produtores, pesquisadores e representantes dos governos para discutir os desafios e as oportunidades da cacauicultura irrigada e tecnificada na região

Com o objetivo de discutir o cenário atual, os desafios fitossanitários e econômicos e as perspectivas de crescimento da cadeia produtiva do cacau, a Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba) sediou, na manhã desta terça-feira (15), a reunião ordinária da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Cacau.

Realizado no Cerrado baiano, o encontro colocou em evidência o avanço da cacauicultura irrigada e tecnificada na região e a importância de fortalecer a atividade como alternativa de diversificação e agregação de valor à produção agrícola. A presença de representantes do setor público, produtores, entidades de classe, pesquisadores e lideranças da cadeia reforçou o interesse em ampliar o diálogo e construir estratégias voltadas ao desenvolvimento sustentável da cultura.

Ao recepcionar os participantes, o presidente da Aiba, Moisés Schmidt, destacou a evolução da produção agrícola no Cerrado baiano e a relevância da cacauicultura nesse processo de diversificação.

Depois de uma manhã repleta de palestras, discussões sobre a cacauicultura, este momento de campo apresentando tudo que aconteceu, nesses mais de seis anos em desenvolvimento de cacau nessa região, de áreas não tradicionais. Temos aqui cacau com mais de cinco anos, também recém-plantado a pleno sol. Um cacau que também dá certo e contribui para o desenvolvimento social, ambiental, e econômico e do produtor rural do nosso estado. Um encontro como esse, é um marco único para cacauicultura a nível de Brasil, trazendo toda essa experiência, conhecimento das áreas tradicionais, e somando com a tecnificação de culturas implementadas no Cerrado, trazendo força e essa união para esse crescimento com um vetor importante para o cooperativismo”, pontuou Schmidt.

Para o presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Cacau, Fausto Pinheiro, a realização do encontro na região representa uma oportunidade de aproximar as discussões nacionais da realidade vivenciada pelos produtores do Cerrado, reforçando a importância do panorama da atual conjuntura do setor cacau-chocolate e as perspectivas de atuação da Câmara Setorial da Bahia.

O encontro contou com a presença dos secretários estaduais de Desenvolvimento Econômico (SDE), João Carlos Oliveira, e de Agricultura, Pecuária e Pesca (Seagri), Vivaldo Góis, que contribuíram para o debate destacando políticas públicas, ambiente de negócios, produção e fortalecimento das cadeias agropecuárias baianas, para enfrentar desafios como a concorrência internacional e as oscilações de preços, além de valorizar a produção local.

“Um momento histórico porque tudo na vida tem que ser planejado, programado, e esse encontro com produtores do Oeste da Bahia, que estão cultivando o cacau e unindo aqui, tecnologia e experiência, e isso só vem acrescentar e melhorar a qualidade do cacau e da produtividade da cacauicultura da Bahia”, afirmou o secretário Estadual de Agricultura, Vivaldo Góis.  

Cerrado baiano ganha espaço na produção de cacau

Embora historicamente associada às regiões tradicionais de produção da Bahia, a cultura do cacau vem encontrando no Cerrado baiano condições para o desenvolvimento de sistemas produtivos baseados em tecnologia, irrigação, planejamento e manejo especializado. A expansão da atividade na região amplia as possibilidades de diversificação da matriz agrícola e demonstra o potencial de integração do cacau aos sistemas produtivos já consolidados no Cerrado. O uso de tecnologias de irrigação, mecanização e manejo, aliado ao conhecimento técnico e científico, criam perspectivas para o estabelecimento de lavouras mais produtivas e competitivas.

Nesse contexto, a realização da reunião da Câmara Setorial na região ganha caráter estratégico ao permitir que representantes da cadeia conheçam de perto as características, os desafios e as soluções adotadas pelos produtores locais. Durante o encontro, também foi ressaltado o interesse da Câmara Setorial em promover uma reunião técnica específica no Cerrado baiano, com uma programação voltada à análise das condições de produção, dos avanços tecnológicos e das demandas dos cacauicultores. A proposta busca aproximar ainda mais produtores, instituições de pesquisa, órgãos de assistência técnica, entidades representativas e agentes públicos, fortalecendo a construção de ações para o desenvolvimento da atividade.

Apresentações técnicas abordam desafios e oportunidades

Na segunda etapa da programação, foram realizadas apresentações técnicas sobre diferentes aspectos da cadeia produtiva do cacau. Thiago Guedes, diretor-geral da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), órgão público vinculado ao Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil, representou o ministro do Mapa, André de Paula, e apresentou as diretrizes e ações da instituição para o fortalecimento da cacauicultura brasileira. Entre os temas abordados estiveram o fomento à atividade, o suporte técnico aos produtores, o fortalecimento das matrizes de pesquisa, a certificação de material vegetal e as ações de extensão rural.

“Participar das câmaras setoriais, discutindo pautas importantes com informações novas sobre o que o Ministério da Agricultura, por meio da Ceplac tem realizado nessa linha, tanto do lançamento de uma diretriz de política pública, e para além disso, trazer informações sobre ciência e tecnologia, nas linhas de frente de pesquisa, como melhoramento genético do cacaueiro, a fisiologia, manejo em áreas não tradicionais, e uma pauta muito específica que é o cooperativismo, a gente entende que é uma agenda benéfica para o cacau do Brasil, com o objetivo de desenvolver o cacau de forma sustentável”, comentou Thiago Guedes.

A atuação da Ceplac foi destacada como fundamental para ampliar a base de conhecimento e oferecer suporte científico e tecnológico à expansão da cultura, especialmente diante dos desafios relacionados à produtividade, material genético, manejo e sanidade vegetal. A Ceplac também destacou sobre programas de apoio ao setor e medidas para retomar a produção de cacau no estado, incluindo a reativação do Porto de Ilhéus para exportação, a criação de uma cooperativa e a instalação de um galpão para armazenar até 30 mil sacas de cacau no Sul da Bahia.

A programação também contou com a explanação do professor Durval Lubiani que fez uma análise sobre as limitações e oportunidades da cadeia de valor do cacau no Brasil, abordando aspectos relacionados à produção, agregação de valor, competitividade e perspectivas para o setor cacau-chocolate. As discussões reforçaram a necessidade de uma atuação integrada entre produtores, setor privado, instituições de pesquisa e poder público para ampliar a competitividade da cadeia e aproveitar as oportunidades que surgem tanto no mercado nacional quanto no cenário internacional.

Visitas técnicas aproximam Câmara da realidade do produtor

Como encerramento da programação, os participantes realizaram, durante a tarde, visitas técnicas a áreas produtivas de cacau da região. A atividade permitiu aos integrantes da Câmara Setorial conhecer, diretamente no campo, experiências de produção de cacau desenvolvidas no Cerrado baiano, observando sistemas de cultivo, tecnologias empregadas, estratégias de manejo e os desafios enfrentados pelos produtores.

A agenda de campo também contribuiu para aprofundar o debate sobre a viabilidade e as perspectivas de expansão da cacauicultura irrigada e tecnificada na região. A aproximação entre a Câmara Setorial e os produtores do Cerrado baiano reforça a importância de manter uma agenda permanente de diálogo e cooperação. A expectativa é que a realização de uma futura reunião técnica na região permita avançar na identificação de gargalos, no intercâmbio de experiências e na construção de propostas capazes de impulsionar a cadeia cacaueira.

Com condições de produção diferenciadas, disponibilidade de tecnologia, infraestrutura agrícola e experiência acumulada em sistemas irrigados, o Cerrado baiano desponta como uma nova fronteira de desenvolvimento para a cacauicultura. O fortalecimento dessa atividade representa não apenas uma oportunidade para os produtores, mas também um caminho para ampliar a diversificação, a agregação de valor e a geração de novas oportunidades econômicas no setor agropecuário regional.

Imprensa Aiba – 16.9.2026

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