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Aiba integra missão do Mapa à África e leva a força da agricultura do Cerrado baiano ao cenário internacional

Representando a agricultura da Bahia, a Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba) integrou a comitiva brasileira na Missão Brasil–África, promovida pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), que percorreu Angola e Marrocos. A participação reforçou a representatividade e a experiência do setor produtivo do Cerrado baiano, uma das principais fronteiras agrícolas do país, e ampliou o diálogo sobre produção, inovação, irrigação, acesso a insumos e novas oportunidades de cooperação e negócios com o continente africano.

A convite do Mapa, formalizado pelo Ofício nº 829/2026, subscrito pelo ministro André de Paula, a Aiba foi representada pelo produtor rural David Marcelino Almeida Schmidt e pelo representante jurídico da associação, Janser Duarte Cardoso. Desde 15 de setembro, os representantes acompanharam a agenda oficial da missão ao lado do ministro e da equipe do Ministério, participando de reuniões com autoridades, instituições financeiras, empresas e lideranças do setor produtivo de Angola e Marrocos.

A presença da Aiba teve como objetivos centrais ampliar mercados para a produção dos associados e buscar alternativas para o acesso a insumos estratégicos, especialmente fertilizantes, um dos principais fatores para a competitividade e a continuidade da agricultura irrigada do Cerrado da Bahia. Nesse contexto, a missão também possibilitou a prospecção de parceiros e a identificação de oportunidades de investimentos e cooperação internacional.

Cooperação e novas oportunidades em Angola

Em 15 de setembro, a comitiva brasileira cumpriu uma extensa agenda institucional em Luanda, com reuniões e encontros com autoridades angolanas e representantes do setor produtivo. Entre os compromissos, estiveram um almoço de trabalho no Hotel Presidente, a assinatura do Memorando de Entendimento entre os governos de Brasil e Angola, no Ministério da Agricultura e Florestas de Angola (MINAGRIF), e uma recepção na Embaixada do Brasil em Angola, que reuniu representantes dos dois países para celebrar o acordo e fortalecer as conexões entre os setores agrícolas.

O Memorando de Entendimento estabeleceu bases para o incentivo à cooperação em investimentos produtivos agropecuários, criando um ambiente favorável à aproximação entre produtores, empresas e instituições dos dois países.

No dia seguinte, 16 de setembro, a agenda voltou-se à operacionalização das oportunidades identificadas, especialmente em duas áreas de interesse direto para os produtores: o acesso a fertilizantes e a construção de mecanismos de financiamento para investimentos no setor agropecuário.

A comitiva participou de reunião com o Grupo Opaia, voltada às possibilidades de fornecimento de fertilizantes, além de encontros com o Fundo Soberano de Angola (FSA) e o Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA). As reuniões permitiram avançar na discussão sobre fornecimento de insumos, financiamento e possibilidades de investimentos em projetos agropecuários.

Fertilizantes e tecnologia no centro da agenda em Marrocos

Em 18 de setembro, a missão chegou a uma de suas etapas mais estratégicas, em Marrocos, com foco nos fertilizantes fosfatados. A agenda reuniu iniciativas de cooperação científica e tecnológica e tratativas relacionadas ao acesso a insumos essenciais para a produção agrícola brasileira.

Em Rabat, a comitiva participou de reuniões no Ministério da Agricultura do Marrocos e no Centro Internacional de Pesquisa Agrícola em Áreas Secas (ICARDA). Na sequência, a missão esteve na plataforma industrial do Grupo OCP, em Jorf Lasfar, onde foi assinado um Memorando de Entendimento entre o Brasil e a OCP, fortalecendo as relações entre os dois países em uma área estratégica para a agricultura brasileira.

Para a Aiba, a aproximação com parceiros internacionais representa uma oportunidade de ampliar as alternativas de abastecimento de fertilizantes e, ao mesmo tempo, inserir a agricultura da Bahia em uma agenda mais ampla de cooperação, investimentos e transferência de conhecimento.

Para o produtor rural David Schmidt, a participação da Aiba em agendas em Angola e Marrocos, fortalece a representação dos produtores baianos em discussões estratégicas sobre fertilizantes, financiamento, investimentos, mercados e transferência de tecnologia.

“O Marrocos é responsável por grande parte do fosfato utilizado no mundo, por isso é fundamental acompanhar de perto as negociações entre o governo brasileiro e os fornecedores marroquinos. A Aiba reforçou, em reuniões com o Ministério da Agricultura, a necessidade de aproximar o governo do setor produtivo, garantir o acesso a fertilizantes e estimular a pesquisa e a exploração de minas nacionais, fortalecendo a soberania brasileira. Também defendemos os interesses da Bahia, que é uma grande consumidora do fosfato marroquino, e destacamos a importância da logística baiana, especialmente dos portos, ferrovias e da Fiol, para garantir o abastecimento do Oeste da Bahia e de outras regiões do interior do Brasil”, explica David.

Do Cerrado baiano para o mundo

Além da busca por insumos e mercados, a participação na missão também reforçou uma mudança de perspectiva sobre o papel do agronegócio brasileiro no cenário internacional. Segundo Janser Cardoso, representante jurídico da Aiba, a agricultura do MATOPIBA tem potencial para exportar não apenas produtos, mas também conhecimento e tecnologia desenvolvidos ao longo de décadas de experiência produtiva.

“O eixo central da nossa participação foi o acesso a insumos, sobretudo o adubo: o Marrocos é o maior exportador mundial de fertilizante fosfatado, e estreitar essa relação é fundamental para o agronegócio do MATOPIBA. E o agricultor do MATOPIBA, em especial, nosso associado Aiba, precisa ampliar o horizonte e mudar o paradigma sobre exportações: não somos exportadores apenas de commodities, temos produto ainda mais valioso, que é a tecnologia. E a assinatura do memorando entre Brasil e Angola abriu aos produtores do MATOPIBA terras angolanas para que produtores brasileiros as cultivem com acesso a bons incentivos e mercado, uma oportunidade concreta, para que o Brasil ocupe esse espaço”, destaca Janser.

A participação da Aiba na Missão Brasil–África evidencia a importância de inserir o Cerrado baiano nas discussões internacionais sobre segurança alimentar, inovação, sustentabilidade e desenvolvimento agropecuário. A experiência acumulada pelos produtores da região, especialmente nas áreas de agricultura irrigada, manejo, tecnologia e adaptação às condições do Cerrado, amplia o potencial de cooperação com países que buscam desenvolver seus próprios sistemas produtivos.

Imprensa Aiba – 6.10.2026

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