Iniciativa reuniu 14 comandantes para aulas teóricas e práticas em Luís Eduardo Magalhães e Barreiras, fortalecendo a segurança ambiental e comunitária na região
A adaptação da aviação agrícola como aliada do meio ambiente e da sociedade é uma realidade para produtores e pilotos do Cerrado baiano. Realizado em parceria entre a Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), por meio do Instituto Aiba, e a Aba Manutenção de Aeronaves, o Curso de Capacitação de Pilotos Agrícolas em Combate Aéreo a Incêndios em Campos e Florestas colocou em ação aulas teóricas e práticas entre os dias 29 de setembro e 1º de outubro.
A capacitação contou com a participação de 14 pilotos comandantes que atuam em 13 fazendas da região. As aulas teóricas foram realizadas no Complexo Bahia Farm Show, em Luís Eduardo Magalhães, e as práticas na Fazenda Santa Paula, do Grupo Mizote, localizada em Barreiras.
A iniciativa, que já reuniu cerca de 80 pilotos nos últimos três anos, ressalta a importância da aviação agrícola como instrumento de apoio à sociedade e ao meio ambiente diante da incidência de queimadas no bioma em áreas rurais e urbanas, que provocam transtornos e colocam em risco a vida de animais, pessoas e propriedades.

O piloto Joni Silva agradeceu a oportunidade de atualizar o que já sabe sobre o assunto. “Toda a informação é bem vinda. A gente aprende com o que sabe e com aquele que não sabe também. Acho importante essa iniciativa da AIba, da Aba e dos proprietários dos aviões que nos prestigiaram com a especialização. Uma coisa interessante é que diferente da aviação agrícola, a de combate precisamos muito da comunicação com as equipes que estão em solo em toda a operação e com as demais aeronaves que estão no ar”, disse.
O curso foi ministrado pela mestre e engenheira-agrônoma Mônica Sarmento, da MS Treinamento Desenvolvimento Profissional e Gerencial, e pelo comandante e piloto Renato Cordioli, da CR AG Aviation Ltda. Para Mônica, o piloto agrícola é o profissional mais adequado para atuar como combatente aéreo, devido à semelhança do trabalho nos campos; no entanto, ressaltou que é imprescindível ajustar o modo e as operações de voo.
“Durante os treinamentos práticos a gente avalia, o circuito, a comunicação, a altitude da aeronave, a forma como o produto está sendo lançado e se ele atingiu o alvo, porque um piloto de combate, ele começa a ser considerado um bom piloto de combate com um acerto de 80% dos lançamentos, então a gente considera os pilotos agrícolas como uma das melhores migrações para um piloto de combate, mas tem que passar por ajustes que acabam sendo feitos aqui nesse treinamento”, disse.

Ela também destacou a importância do uso da ferramenta aérea no combate e os benefícios das aeronaves. “O avião traz rapidez e agilidade, nem sempre o fogo está próximo das brigadas terrestres, então nós temos acesso a pontos de difícil acesso para as equipes de terra, com isso, nós minimizamos os danos ao patrimônio e minimizamos também os danos ecológicos, econômicos, dos prejuízos ligados à saúde pública, porque o fogo não prejudica somente aquele que teve a sua área queimada, mas também toda uma região no entorno e até mesmo regiões onde nem fogo tivemos”, enfatizou Sarmento.
O também piloto Yoshinori Miura disse que a capacitação faz a diferença para quem está na linha de frente de uma região recorrente na incidência de incêndios em áreas rurais. “O combate ao incêndio está sendo uma necessidade de alguns anos pra cá na Bahia e a gente precisa de padronizações. As vezes voar sozinho é uma coisa, mas se vai voar com outras aeronaves perto precisa de coordenação e o curso é excelente porque ensina”, disse o comandante Yoshinori Miura.
Juntos no combate
Conforme dados da plataforma de monitoramento de focos de incêndios florestais desenvolvida pela Aiba, de 30 de setembro a 2 de outubro foram registrados 10.856 ocorrências com fogo em 32 dos 34 municípios monitorados.
Para o segundo vice-presidente da Aiba, Seiji Mizote, o curso é importante e necessário, tendo em vista que a região do Cerrado é propícia à ocorrência de incêndios florestais, especialmente durante o período crítico de estiagem. Mizote também destacou que a iniciativa reflete o empenho dos produtores rurais em favor de toda a sociedade.
“O Brasil inteiro tem esse problema com incêndios e essas aeronaves têm um período ocioso aqui. Nossa intenção foi colocar à disposição os aviões para o combate a esses focos de incêndio. Com isso, o produtor rural ajuda a preservar o nosso bioma, o Cerrado, e a proteger nossa população”, disse Mizote.

Ruddigger Alves, CEO da Aba, celebrou a parceria e o conhecimento compartilhado entre o público-alvo, que faz a diferença no dia a dia do campo. “Essa parceria une o que realmente precisamos para a região, então trazemos expertise da Aiba e da Aba, que vivemos essa realidade no dia a dia. Com isso, continuamos tendo equipes preparadas para atender tanto os campos como as florestas em benefício de todos”, disse o CEO da Aba.
Imprensa Aiba – 02.10.2026