Conselho Técnico da Aiba apresenta terceiro Levantamento da atual safra e panorama da colheita de soja na região
Ao trafegar pelas principais rodovias vicinais do Cerrado baiano, a poeira que se vê ao longe no horizonte das lavouras são de máquinas que trabalham ininterruptamente e sinalizam que a colheita do principal grão produzido no cenário regional, está a todo vapor. Dos 2,218 milhões de hectares de soja plantada na Bahia, mais de 50% da área já está colhida na região, onde são esperadas produtividades em torno de 68 sacas por hectare.
Estes números refletem o potencial regional para o cultivo da oleaginosa que ocupa o primeiro lugar no ranking da produção agrícola. A expectativa é que até o final da safra 2025/26, sejam colhidas 9,049 milhões de toneladas.

Influências climáticas e boas práticas agrícolas
Os dados da atual colheita são acompanhados pela Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), por meio das atualizações do Conselho Técnico, que divulgou o terceiro levantamento da Safra, durante reunião ocorrida na terça-feira (17), na sede da associação agrícola em Barreiras.
Mesmo em função das chuvas frequentes, que dificultaram as operações de campo nas últimas semanas, o monitoramento fitossanitário tem contribuído para a resiliência do produtor rural em face às condições adversas enfrentadas.
Segundo o gerente de agronegócios da Aiba, Aloísio Júnior, as equipes do Programa Fitossanitário acompanham a ocorrência de doenças de final de ciclo e anomalias, especialmente após as chuvas recentes. “O produtor rural vem demonstrando resiliência, em especial pelo momento em que o mercado não se mostra tão atraente, principalmente em relação aos custos de produção, mas se mantém nos parâmetros de produtividade, com destaque para o trabalho contínuo de manejo de conservação do solo, e das boas práticas agrícolas no campo, como a genética, biotecnologia e o investimento em tecnologia também são fatores-chave para o sucesso da safra”, afirma
Apesar do bom desempenho das lavouras, o excesso de umidade tem dificultado o avanço da colheita favorecendo o surgimento de doenças de final de ciclo. “Com 51% colhidos e chuvas regulares que contribuíram para um bom desenvolvimento das lavouras, especialmente nas áreas de sequeiro, e mesmo que os excessos de chuvas em fevereiro e março, possam ter afetado a qualidade dos grãos, a colheita, que teve um início lento devido às chuvas, deve avançar rapidamente nos próximos dias, com previsão de tempo mais favorável”, pontua o conselheiro Orestes Mandelli, que ainda ressalta que a produtividade média é semelhante à da safra anterior, com a perspectiva de bom potencial produtivo para a área ainda a ser colhida.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), também tem representação nas tomadas de decisões do Conselho Técnico e avalia o andamento da safra. “Tem anos que dá tudo certo, o clima é perfeito, a venda é perfeita e o produtor se capitaliza mais. Tem anos que os desafios são maiores, mas a expertise que o produtor da Bahia tem, acaba superando as dificuldades, sejam climáticas, fitossanitárias, mas sempre buscando se superar com eficiência e boas expectativas”, complementa o analista da Conab, Joctâ Couto.



Panorama do setor no atual contexto do mercado
Aliado à expectativa do resultado da safra da soja na região, os produtores rurais da região estão atentos aos desdobramentos da crise internacional, e acompanham com cautela o atual cenário geopolítico, reforçando a relevância do planejamento agrícola, a exemplo do produtor rural Dhone Dugnani, que avalia o desempenho da colheita na safra 2025.26 até o momento.
“São desafios diferentes a cada ano, e nós temos atualmente essa questão da guerra, onde parte dos derivados de petróleo sofrem aumento de preço, assim como os insumos. Mas a safra na região, com mais de 50% de área colhida, se desenvolve. E agora nessa segunda fase da colheita, temos buscado soluções e se planejar, mas o agricultor da região da Bahia e do MATOPIBA sempre encontra sua maneira de produzir bem”, revelou o produtor rural.
Apesar do contexto atual, a resiliência do produtor, e das boas práticas agrícolas, aliadas ao monitoramento fitossanitário e ao investimento em tecnologia, contribuem para o andamento da safra reforçando a competitividade da agricultura baiana no cenário brasileiro.
O presidente da Aiba, Moisés Schmidt, ressalta a importância de o produtor estar atento o atual contexto internacional. “O agronegócio brasileiro é influenciado diretamente pelo atual cenário de guerra, e no entanto, deve fazer o seu melhor, com planejamento e profissionalismo, para enfrentar os desafios impostos pelo contexto global. É preciso estar atento ao fluxo financeiro para produzir com eficiência e se manter competitivo no mercado”, disse Schmidt.

Com o avanço da colheita da soja no Cerrado baiano, algumas propriedades já iniciam ou se preparam para a implantação das culturas de safrinha com destaque para milho, sorgo, milheto, feijão, capim braquiária e, em menor escala, mamona, especialmente em áreas irrigadas. Mais informações e dados do Boletim da Safra, podem ser acessados no site da Aiba https://aiba.org.br/ .
Assessoria de Imprensa Aiba – 19.3.2026